CAPÍTULO XI - JORGE

 
Tudo aquilo que de mal fazemos aos outros, ou ao ambiente em que vivemos, fica-nos gravado no perispírito de tal modo que, ao desencarnarmos, nos sentimos em falta enquanto não compensarmos aquilo que prejudicámos.
Neste contexto, indicaram-me no umbral um espírito sofredor que, por se ter imiscuido numa vida familiar, aí provocando distúrbios que conduziram à separação, ficou retido nos seus erros, preferindo sofrer a ter de ser julgado, pensando que Deus o iria julgar e castigar.
Fomos até ele, esclarecendo-o que Deus não julga nem castiga, sendo nós próprios a fazê-lo: a nossa consciência culpada é o único tribunal que nos julga e condena. Deus é Pai! Ele tudo nos perdoa e tudo nos proporciona para resgatarmos os nossos erros, possibilitando-nos todos os meios  para pagarmos aquilo que devemos.
Este espírito, ouvindo-nos, estacou e perguntou:
- Então estou perdoado? Deus perdoou-me?
Ao que respondemos:
- Sim, Ele nunca te condenou; tu próprio o fizeste, ficando imerso em culpas, sofrendo e temendo o tribunal divino.
Durante muito tempo estivémos perto dele a esclarecê-lo a respeito das Leis Divinas, e ele ouvia-nos, mas mantinha-se preso às suas convicções. Foi necessário pedir auxílio ao noso mentor Jacob para o esclarecermos melhor.
Jacob veio ao nosso encontro e irradiou-o de tanta luz que ele imediatamente se prostrou arrependido, tendo sido possível auxiliá-lo e erguê-lo para, fortalecido e confiante, nos acompanhar ao Posto de Socorro próximo daquele local.
Este irmão, Jorge,  vivera na Terra uma vida de excessos, tendo sido responsável pelo desmembramento da sua própria família, e da dos amigos, junto dos quais se introduziu, imiscuindo-se na sua intimidade, criando suspeitas entre os cônjugues e terminando por separá-los.
No entanto, Deus opera milagres em nós, e permitiu-lhe ser auxiliado a fim de poder, no futuro, resgatar os seus erros.
Deus, Infinitamente Justo e Misericordioso, tudo nos proporciona para crescermos. Ao nos perdoar, eleva-nos para, elevados, sentirmos necessidade de resgatar as nossas faltas.
Jacob foi nosso mentor: enviado pelo Alto, focou-se naquilo que era necessário fazer para auxiliarmos Jorge, o espírito sofredor. Ele encontrava-se muito enclausurado em si mesmo, culpabilizando-se por ter sido em consequência das suas acções que as famílias se tinham desmembrado, e precisava de sentir algo superior que o despertasse para Deus. Foi Jacob quem o conseguiu fazer.
Deus é Justo e Misericordioso, pelo que lhe proporcionou os meios para resgatar os seus erros, permitindo-lhe reencarnar: virá novamente à carne, inserido no seio da família que prejudicou, a fim de obter o seu perdão.
Deus  envia-nos tudo o que necessitamos para progredirmos, sendo-nos benéfico aceitarmos o que Ele nos dá, a fim de, através das vivências necessárias, podermos resgatar os erros junto daqueles que tenhamos prejudicado no passado, principalmente aqueles que devíamos ter protegido e amado.
Jorge, tendo reencarnado no meio físico que lhe era propício, retomou o seu antigo carácter, esquecendo-se do compromisso de redimir os seus erros, assumido na espiritualidade: imiscuiu-se novamente no seio da família que tinha prejudicado na anterior encarnação, aí fazendo intrigas e provocando conflitos que levaram à separação.
Jorge, sentindo que tinha agido mal, suicidou-se.
O Pai, Infinitamente Justo e Misericordioso, permitiu-lhe ser resgatado do Vale dos Suicidas, por intercessão de familiares seus que, numa vida passada, ele tinha auxiliado, ficando sob a sua custódia, reequilibrando-se e, arrependido, suplicando a Deus uma nova oportunidade.
Jorge, de novo  no plano espiritual, comprometeu-se, se Deus lhe desse nova oportunidade, a cumprir religiosamente tudo aquilo que planeava fazer para ressarcir os seus débitos, nomeadamente integrar-se na mesma família para aí ser sujeito à prova mais difícil de superar: o ostracismo. Ele sentir-se-ía rejeitado pelos seus familiares devido às perturbações físicas e mentais provocadas pelo suicídio através do qual saíra da vida anterior.
Ao embrenhar-se junto daqueles que tinha prejudicado, Jorge precisou de muito amparo espiritual para não perder o ânimo, tendo vivido junto deles durante muitos anos para ressarcir os seus débitos, até que Deus finalmente o chamou a Si. 
Jorge, nessa vida,  praticou o bem, pacificando-se intimamente, e, no final dessa reencarnação, regressou à espiritualidade vitorioso, ficando junto dos seus familiares.
Muitas vezes nós perdemos o rumo na vida, esquecendo-nos dos  compromissos assumidos antes de reencarnarmos, desviando-nos do caminho, intrometendo-nos na vida dos outros, perturbando-lhes os propósitos, endividando-nos e endividando-os, necessitando posteriormente de regressar à Terra para ressarcirmos os débitos contraídos.
Deus, infinitamente Misericordioso e Justo, envia-nos tudo aquilo que precisamos para crescermos. Ele dá-nos, por diversos meios, oportunidades de progresso que muitas vezes rejeitamos, e, sendo-nos fiel, ampara-nos nas dificuldades.
Há em cada obstáculo uma lição a aprender. Essa lição, se for apreendida, é-nos benéfica; no entanto, nem sempre isso acontece, pelo facto de, ao recebermos experiências difíceis, muitas vezes nos revoltarmos e rejeitarmos a oportunidade que Deus nos apresenta.
Há sempre lições a tirar de tudo o que nos acontece, sendo-nos benéfico tudo aceitar sem revolta. Deus, infinitamente Justo e Misericordioso, nada faz para nos prejudicar.
Jorge reabilitou-se e, ao se equilibrar, iniciou-se nos trabalhos de resgate junto daqueles sofredores, seus antigos desafectos, tudo fazendo para os auxiliar a sairem daquele sofrimento, levando-lhes o Evangelho de Jesus e lendo-lhes as passagens elucidativas sobre o perdão das ofensas.
Com o passar do tempo, eles foram-se tornando permeáveis à doutrinação, e finalmente pediram-lhe auxílio para saírem do umbral.
Jorge felicitou-os pela escolha e orou a Deus agradecendo-Lhe tudo aquilo que do Alto tinha recebido para os auxiliar, irradiando-os de tanta luz que eles, pensando estar perante Jesus, se prostraram a seus pés pedindo-lhe perdão e auxílio para serem levados para o Céu.
Jorge, emitindo fluidos pacificadores, ergueu-os e levou-os para o posto de socorro das proximidades.
Deus é Justo, e possibilita-nos resgatar os nossos débitos para com aqueles que magoámos, bastando para isso estarmos atentos às oportunidades que Ele nos dá, abraçá-las e cumpri-las.
Jorge é-nos muito grato pelo facto de o termos auxiliado. Ele, ao reequilibrar-se, iniciou-se por sua vez nos trabalhos de auxílio, juntando-se à equipa que permanecia perto da crosta, aí pregando o Evangelho, enquanto, elevando-se ao Alto, em prece, tentava resgatar os sofredores.
Tudo aquilo que fazemos, é-nos devolvido, tanto o bem como o mal, especialmente se estivermos conscientes daquilo que fazemos, sendo-nos favorável fazer todo o bem possível a fim de sermos por nossa vez recompensados.
Tudo aquilo que sofremos, é-nos favorável, a fim de aprendermos com os nossos erros, sobretudo se eles tiverem sido cometidos de forma consciente, sendo-nos fácil evitá-los. Deus tudo vê e tudo contabiliza.
Jorge encontra-se em paz com aqueles que magoou no passado. Tendo-o feito de forma consciente, sofreu muito, ficando sob a custódia de espíritos que tinha prejudicado. Entretanto, ao reconhecer as suas faltas e ao se arrepender, Deus permitiu-lhe recomeçar a fim de ressarcir os seus débitos...
"Elevai-vos ao Alto! Deus ouve-vos e atende-vos as rogativas, especialmente se elas forem feitas com humildade, e contribuam para o vosso progresso espiritual! Deus é Pai, Justo e Misericordioso, ama-vos e auxilia-vos a progredir." Esta exortação  foi dirigida por Jorge aos espíritos sofredores, ao iniciar os seus serviços de auxílio.
Também vós, irmãos encarnados no plano físico, podeis elevar-vos ao Alto e rogar a Deus auxílio para aqueles que amais. Ele ouve-vos e atende-vos todas as rogativas.
Há irmãos encarnados que oram pedindo a Deus bençãos de saúde, sendo-lhes necessário, indispensável, fazerem a sua parte, cuidando-se física e espiritualmente. Deus atende sempre, mas auxilia de acordo com a postura de quem pede.
Auxiliai-vos a vós próprios, e pedi a Deus aquilo que, por causas diversas, não conseguis concretizar. Ele  não cobre a preguiça de ninguém, nem tampouco cura aqueles que tudo fazem para ficarem doentes. Fazei a vossa parte e deixai-Lhe - a Deus - tudo o que, sendo justo, não conseguis realizar.
 
Damião.