Um dia, enquanto nós trabalhávamos no umbral a recolher espíritos arrependidos, avizinhou-se de nós uma entidade espiritual muito iluminada, divinamente revestida de luz, pedindo-nos auxílio para a acompanharmos ao local onde se encontrava um espírito sofredor, a fim de falar-lhe a respeito de Jesus, dando-lhe oportunidade de se arrepender, e, se isso acontecesse, a acolher e levar para a colónia próxima.
Ao chegarmos ao local indicado, visualizámos a referida entidade, feminina, em situação tão deplorável que precisámos de coragem para a abordar, tornando-nos suficientemente densos para ela nos ver.
Ao ver-nos, mostrou-se muito admirada, sobretudo ao enxergar o espírito que nos tinha pedido para o acompanharmos ao local, emitindo sonoridades incompreensíveis e rastejando no chão, assombrada por essa visão, identificando-nos como anjos de Deus.
Deus, enviando-nos ao seu encontro, permitiu-lhe ver-nos, a fim de a tocar no coração e fragilizar-lhe a crosta em que se tinha enclausurado com as próprias criações atormentadoras, podendo, ao ver-nos, delas sair por tempo suficiente para receber-nos os fluidos.
Nesse momento, o espírito que nos acompanhava,exclamou:
- Mãe, vem aos meus braços! Sempre me acolheste nos teus, agora é a minha oportunidade de te acolheres nos meus!
Ao reconhecer o filho, Dulce, mãe terrena de Jacob, aquele a quem acompanhávamos, que rastejava como uma cobra, ergueu-se sobre as mãos, mirando-o incrédula, refletindo naquilo que lhe tinha feito enquanto sua mãe, edificando-se sob o efeito das memórias há muito tempo esquecidas. Invocou essas recordações dentro de si guardadas, sentindo-se elevar-se da posição rastejante para, auxiliada por Jacob, seu filho, se ajoelhar a seus pés, prostrando-se, pedindo-lhe auxílio, e elevando ao Alto uma prece de arrependimento pelos seus pecados na Terra, suplicando perdão a Deus e àquele filho que a vinha salvar do inferno por si própria criado.
Tudo aquilo que nós semeamos ao longo da nossa vida eterna, mais cedo ou mais tarde colhemos. Dulce, na sua última encarnação, sendo casada, errou muito, escolhendo caminhos degradantes, tendo colocado a família num plano secundário a fim de resvalar nos vícios carnais, ficando, após desencarnar, embrenhada nas consequências dos seus actos, incapaz de se perdoar.
Dulce muito sofreu, no abismo dos seus erros, tornando-se, com o passar do tempo, animalizada. Jacob, que já tinha feito inúmeras tentativas para resgatá-la, sem o conseguir, pediu a Deus luz, e, fortalecido, confiante no Seu infinito amor, juntamente connosco, obteve êxito na sua missão.
No tempo em que, na Terra, Dulce vivia sob a protecção materna, mantêve-se digna e criou laços com os filhos, enternecendo-se com eles, acalentando-os nos braços. Essas recordações foram para ela bálsamos íntimos, levando-a a abrir-se ao amor de Deus e a acolher-se nos braços do seu filho.
Jacob, transfigurado pela felicidade do dever cumprido, elevou ao Pai uma prece de gratidão:
"Pai de Infinita Misericórdia, perdoa-nos pelos nossos pecados, esquece as nossas faltas e ajuda-nos a cumprir aquilo que precisamos para progredirmos. Dá-nos fé e confiança na tua infinita bondade, fortalece-nos com o teu amor e permite-nos, com o teu auxílio, continuarmos este labor na seara de Jesus. Corôa de êxito os nossos trabalhos, para honra e glória do teu nome. Assim seja."