CAPÍTULO II: VIMIEIRO/MADRID
Cidade espanhola, capital do Reino, de grandes dimensões, esta cidade, situada no centro de Espanha, é morada de milhões de almas encarnadas e milhões de espíritos desencarnados.
Cidade vetusta, vangloria-se de nunca ter sido tomada, sendo no entanto diariamente invadida por hordas de espíritos, vindos das regiões sombrias, que são a sua morada, a fim de perturbarem aqueles irmãos encarnados que, ignorando a sua influência, lhes seguem os conselhos, acatando-lhes as sugestões.
Nos altos céus, longe do bulício desta cidade, existe uma outra cidade: Vimieiro, cidade espiritual, assim denominada devido ao nome do seu fundador, é presente no espaço sobre Madrid, recebendo no seu interior os espíritos desencarnados vindos da Terra.
Vimieiro é uma cidade muito antiga, fundada nos finais do Século XV, pelo irmão Vimieiro, juntamente com outros irmãos que comungaram as suas ideias de auxiliar.
Tendo iniciado a edificação do refúgio nesse final de século, continuou a edificar dependências destinadas aos vários tipos de actividades aí desenvolvidas, acabando pelas fortificações.
Cidade linda: cada edifício transpira luz, sendo-nos possível caminhar de noite sem necessidade de candeeiros pelo facto de cada edifício ser iluminado, emitindo essa luz em seu redor, como um farol a indicar o caminho.
Os nossos irmãos necessitados de auxílio, vindos da Terra e das regiões inferiores, são-nos trazidos pelos missionários de Jesus que laboram nesses locais, incansavelmente, unicamente por amor, a fim de imitarem Jesus.
Cada sofredor acolhido é levado para o hospital. Eles, muito sofridos, muito desanimados, muito infelizes, são acomodados e cuidados pelos enfermeiros e médicos que lhes administram remédios feitos à base de substâncias extraídas da flora local.
Há, na cidade de Vimieiro, cultivo dessas plantas, carinhosamente plantadas, regadas e colhidas por irmãos que se dedicam ao mister de cultivar.
Vimieiro, situada sobre Madrid, vive permanentemente em alerta. Esse estado de alerta, muitas vezes sendo justificado pelas investidas das sombras, é vivido de forma serena, mas firme. De cada vez que há aproximação dessas entidades sombrias, é iniciado o plano de defesa, emitindo-se raios sobre elas, afugentando-as. Os raios emitidos assustam-nas, pelo facto de serem muito intensos.
Cada irmão auxiliado é um possível auxiliador futuro. Os actuais cidadãos desta cidade foram-nos trazidos pelos missionários, vindo necessitados de cuidados, tendo-os recebido e tornado nossos residentes. Eles vivem nesta cidade em casas, trabalhando e estudando, de acordo com as suas preferências.
Situado no centro de grande praça ajardinada, encontra-se o templo, edifício gigantesco, todo branco, todo luminoso, edificados pelos fundadores, tendo sido utilizado por eles para todos os fins, desde refúgio, templo, biblioteca, acomodações, prisão e fortaleza.
Devo esclarecer-te sobre a prisão, sendo nessa época necessária para resguardar espíritos muito inconformados que, necessitando de auxílio, poderiam, se em liberdade, perturbar os outros habitantes. Os irmãos prisioneiros eram-no por misericórdia divina, sendo atados fluidicamente, imobilizando-os, sem lhes provocar qualquer dano.
Esse edifício, que para tudo serviu, hoje serve exclusivamente para fins de prece, sendo utilizado por espíritos de todas as crenças religiosas. Dentro do templo há espaços próprios para que cada espírito se sinta confortável enquanto ora.
Ao se entrar no templo, sente-se o ambiente leve, limpo, fluidificado, aromatizado, e com espaços decorados de acordo com as diversas crenças religiosas. Os espíritos que aí vão orar, fazem-no para agradecer ao Pai as bênçãos recebidas, para lhe pedirem auxílio e para o louvarem. Cada religião se exprime de forma diferente, havendo respeito uns pelos outros, aceitação das diferenças, tolerância e interesse em participar no culto uns dos outros. Durante o período em que estive nesta cidade, verifiquei muitas vezes esse intercâmbio.
Madrid é uma cidade grandiosa, do ponto de vista material, nela se situando monumentos muito ricos, palácio, catedrais e inúmeros bancos. Os seus cidadãos movimentam-se incessantemente, de um lado para o outro, utilizando os diversos meios de transporte disponíveis. Durante todo o dia, e também até muito tarde na noite, eles se ocupam de diversas actividades: laborais, domésticas, lúdicas, religiosas… Os interesses principais dos madrilenos estão muito ligados à diversão nocturna, propiciando desvios de comportamento que atraem entidades sombrias. Os seus irmãos encarnados, ignorando-as, facilmente recebem as suas sugestões, seguindo-lhes as intuições e praticando os actos por elas sugeridos. Esses actos, sendo provenientes de sugestões inferiores, provocam-lhes efeitos nefastos, sobretudo espiritualmente, mas também fisicamente. É importante elucidar esses irmãos sobre os riscos que correm ao se entregarem a práticas de natureza inferior.
Deus, infinitamente justo, permite, dentro de Suas Leis, que tudo isto aconteça, propiciando, através da lei de causa e efeito, que cada filho sofra as consequências dos seus actos, para que cresça através da dor, se se afastar da prática do amor. O Pai, misericordioso, justo e verdadeiro, a todos dá as mesmas oportunidades. Cabe a cada um aproveitá-las a favor ou a desfavor próprios ou dos seus semelhantes.
Os nossos irmãos, Missionários de Jesus, laboram incansavelmente nas ruas, bares, tabernas e outros locais inferiores, protegendo, esclarecendo, irradiando fluidos e auxiliando, de formas desconhecidas para vós, aqueles que aí se comprazem nos diversos vícios, tanto encarnados como desencarnados. Deus permite-lhes esse labor, em benefício próprio e daqueles que são por eles auxiliados.
Madrid vive vinte e quatro horas por dia, sendo essa vivência maioritariamente de ordem inferior. Torna-se necessário alterar hábitos ancestrais, de álcool sobretudo, mas também de outras drogas, de sexo desenfreado, praticado por luxúria, não por amor. Madrid, neste século, já sofreu alguns efeitos dos seus hábitos inferiores, tendo-se ressentido e iniciado um processo de reerguimento.
Os necessitados que, após desencarnarem, são acolhidos em Vimieiro, desanimados e infelizes, ficam espantados com as capacidades organizativas da nossa cidade. Todos são aceites, acomodados, cuidados com amor e carinho, sentindo-se como crianças amparadas pelos seus pais. Tendo vindo da crosta, onde muitos receberam maus tratos, ao serem acarinhados, exultam de alegria. Deus, em sua infinita misericórdia, proporciona-lhes recompensas pelos sofrimentos havidos na Terra.
Cada irmão que aqui chega, arrastando-se, ao fim de algum tempo, tempo esse variável, irradia luz, ânimo, felicidade. Eles modificam-se sob o efeito dos cuidados desvelados de médicos e enfermeiros. Os nossos serviços de acolhimento, assim como os hospitais, servem-lhes de morada durante a primeira fase de adaptação à vida espiritual, após o que eles passam a residir em habitações familiares ou acomodações próprias para espíritos que estão de passagem.
Enquanto estão internados em hospitais, os nossos enfermos são alvo de atenções permanentes. Tudo gira em seu redor, dentro dos limites da liberdade individual de cada um. Durante esse período, eles são-nos como filhos frágeis e desprotegidos que nós amparamos, protegemos, educamos, esclarecemos e amamos.
Eles, sentindo-se assim acarinhados, respondem ao tratamento de forma positiva, sendo-nos grato vê-os tornarem-se cada vez mais auto suficientes, equilibrados, harmonizados.
Em terminando a primeira fase do tratamento, saem do hospital, ficando sob a tutela de familiares, em suas casas, continuando a ser acompanhados “profissionalmente” pelos espíritos encarregados de lhes proporcionarem a continuidade dos cuidados. Tudo funciona perfeitamente.
Enquanto dura a segunda fase, estes irmãos começam a adquirir alguma autonomia, sendo-lhes permitido sair e viajar dentro dos limites da cidade. Após o término desta fase, inicia-se a última, que é constituída por acréscimo de responsabilidades. Eles começam a ter responsabilidades próprias e também em relação a irmãos seus, como estudo, preces, visitas a lugares fluidificados, conferências, meditações, até pedidos de auxílio por irmãos seus tão necessitados como eles estiveram, indo ao encontro deles para os auxiliar.
É desta forma que funciona o auxílio: uns auxiliando os outros, sempre do mais alto para o mais baixo, sempre através de esclarecimentos, preces, fluidificações e muito amor.
Vimieiro é muito visitada pelos madrilenos que, durante o sono físico, aí se deslocam, guiados pelos seus familiares, amigos ou guias espirituais, a fim de serem elucidados sobre as Leis Divinas, infinitamente justas.
Os esclarecimentos prestados a estes irmãos são-lhes benéficos, embora eles não se recordem, ao acordar, de os terem recebido, ficando uma ténue lembrança de terem estado num lugar diferente.
Tudo é perfeito nesta cidade, bem como em outros locais de vivência espiritual. Vimieiro, à semelhança de Elvas, é luminosa, brilhando no espaço, atraindo a si energias muito leves, e recebendo do Alto benefícios permanentes devido à actividade que é constantemente exercida a favor de irmãos necessitados. Tudo funciona de acordo com a Lei de causa e efeito: dais e recebeis, esclareceis e sois esclarecidos, auxiliais e sois auxiliados. O Pai, em sua infinita misericórdia, permite-nos este labor, em benefício de nós próprios e daqueles que nós auxiliamos.